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XXY
Gênero: Drama
E a sexualidade humana também é muitíssimo mais complicada e multifacetada do que gostaria todas as medicinas ou morais legisladoras ao longo da história da humanidade. Freud no começo do século passado já dizia da impossibilidade de uma conciliação satisfatória e equilibrada entre as pulsões instintivas do homem (sexualidade e agressividade) e a cultura civilizatória constituída de regras e leis de convivência. Segundo o pai da psicanálise o máximo que um ser humano consegue atingir é a condição de um neurótico ajustado. Carl Gustav Jung fala que, independente da orientação sexual, o ser humano tem como tarefa importante em sua trajetória de desenvolvimento, a integração dos aspectos opostos ao seu gênero. O homem precisa integrar seus aspectos femininos (Anima) e a mulher precisa integrar seus aspectos masculinos (Animus).
As religiões, regra geral, pregam o casamento mogonâmico e heterossexual. Conforme alguns teóricos do capitalismo, trata-se de um forma de manutenção da propriedade e da organização econômica desigual que divide a sociedade em classes dominantes e dominadas. Mas é provável que nem a moral, a religião ou a ciência ainda tenham explicado minimamente a natureza da sexualidade humana.
Surge uma forte atração entre Alex e Álvaro. Alex o assedia ostensivamente até chegar as vias de fato. Alex parece uma garota e é bonita. Atrai os rapazes da região, além de despertar a curiosidade, pois alguns percebem que há algo diferente nela. Álvaro é um filho rejeitado e desqualificado pelo pai. A primeira referência masculina de sua vida é um homem distante e pouco amoroso. Alex é ativa no sexo. Qual a natureza do desejo sexual dos dois adolescentes? Alex, em sua identidade feminina, tem prazer em penetrar. Álvaro se relaciona sexualmente com uma garota que tem um pênis e é penetrado por ela. É homossexual? São respostas difíceis de serem dadas de maneira definitiva e é preciso considerar que a complexidade da libido e expressão dos desejos não se encaixam em moralismos e teorias. Talvez ainda lidamos muito mal com nossa própria sexualidade, apesar de toda liberdade e exposição conquistada a partir dos anos 60. Já não somos tão reprimidos como na primeira metade do século XX, mas há muitos estudos contemporâneos que ainda demonstram muita insatisfação nessa área. Talvez explicar e julgar menos e viver mais nos ajude a sermos mais felizes com nossas sexualidades, que é o que de fato interessa. Por : Carlos Aguena - "Da equipe de
redatores Palcoetv"
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