sobre o palco e tv
seriados
filmes
teatro
fale conosco

XXY

Gênero: Drama
Tempo: 86 min.
Lançamento: 29 de Fev, 2008
Elenco e créditos
Estrelando: Inés Efron, Martín Piroyansky, Carolina Pelleritti, Germán Palacios, Valeria Bertuccelli, Ricardo Darín, Guillermo Angelelli
Dirigido por: Lucía Puenzo
Produzido por: José María Morales, Luis Puenzo

xxyA humanidade entra no século XXI perplexa. Todas as idéias e conceitos para explicar a realidade com pretensão a se confirmarem como verdades irresolutas caíram. A física newtoniana não dá conta de explicar o que acontece no plano do infinitamente pequeno e do incomensuravelmente grande. Nesses planos, a dimensão do tempo e do espaço se relativizam e não existem como na tridimensionalidade observável em nosso dia a dia. No universo micro e macro-cósmico os espaços se multiplicam e se interpenetram e o que acontecerá amanhã já interferiu no que houve ontem. O pensamento cartesiano vive seu colapso no entendimento da complexidade dos atuais acontecimentos econômicos, sociais e políticos. Tais fatos hoje desafiam e enlouquecem quem busca alguma compreensão mais global e articulada. O sistema socialista e comunista não trouxeram soluções e alternativas para as contradições e injustiças do capitalismo.

E a sexualidade humana também é muitíssimo mais complicada e multifacetada do que gostaria todas as medicinas ou morais legisladoras ao longo da história da humanidade.

Freud no começo do século passado já dizia da impossibilidade de uma conciliação satisfatória e equilibrada entre as pulsões instintivas do homem (sexualidade e agressividade) e a cultura civilizatória constituída de regras e leis de convivência. Segundo o pai da psicanálise o máximo que um ser humano consegue atingir é a condição de um neurótico ajustado.

Carl Gustav Jung fala que, independente da orientação sexual, o ser humano tem como tarefa importante em sua trajetória de desenvolvimento, a integração dos aspectos opostos ao seu gênero. O homem precisa integrar seus aspectos femininos (Anima) e a mulher precisa integrar seus aspectos masculinos (Animus).

xxyWilhelm Reich dizia que, ao contrário de Freud, temos apenas a pulsão de vida (Eros). A pulsão de morte (Tanatos) é resultado do quanto somos submetidos a regras sociais e econômicas absolutamente artificiais que nos tolhem a liberdade e nossa energia vital. A sexualidade é fonte fundamental de felicidade e poder, segundo esse importante teórico.

As religiões, regra geral, pregam o casamento mogonâmico e heterossexual. Conforme alguns teóricos do capitalismo, trata-se de um forma de manutenção da propriedade e da organização econômica desigual que divide a sociedade em classes dominantes e dominadas.

Mas é provável que nem a moral, a religião ou a ciência ainda tenham explicado minimamente a natureza da sexualidade humana.

xxyXXY, co-produção Argentina/França/Espanha da diretora Lucía Puenzo, conta a história de Alex, uma adolescente hermafrodita de 15 anos, com características predominantemente femininas com com órgãos genitais femininos e masculinos. Seus pais convidam um casal com seu filho adolescente, Álvaro de 16 anos, a passarem alguns dias em sua casa, numa vila de pescadores no litoral uruguaio. O pai de Alex tenta convencer seu amigo que é médico cirurgião a fazer uma operação em sua filha para definição de sua identidade sexual.

Surge uma forte atração entre Alex e Álvaro. Alex o assedia ostensivamente até chegar as vias de fato. Alex parece uma garota e é bonita. Atrai os rapazes da região, além de despertar a curiosidade, pois alguns percebem que há algo diferente nela. Álvaro é um filho rejeitado e desqualificado pelo pai. A primeira referência masculina de sua vida é um homem distante e pouco amoroso. Alex é ativa no sexo. Qual a natureza do desejo sexual dos dois adolescentes? Alex, em sua identidade feminina, tem prazer em penetrar. Álvaro se relaciona sexualmente com uma garota que tem um pênis e é penetrado por ela. É homossexual?

São respostas difíceis de serem dadas de maneira definitiva e é preciso considerar que a complexidade da libido e expressão dos desejos não se encaixam em moralismos e teorias. Talvez ainda lidamos muito mal com nossa própria sexualidade, apesar de toda liberdade e exposição conquistada a partir dos anos 60. Já não somos tão reprimidos como na primeira metade do século XX, mas há muitos estudos contemporâneos que ainda demonstram muita insatisfação nessa área. Talvez explicar e julgar menos e viver mais nos ajude a sermos mais felizes com nossas sexualidades, que é o que de fato interessa.

Por : Carlos Aguena - "Da equipe de redatores Palcoetv" 
e-mail: aguenaca@yahoo.com.br

Carlos Artur Aguena: Psicólogo Clínico com especialização em Jung e Técnicas Corporais pelo Instituto Sedes Sapientiae

 

© copyright 2005-2010, palcoetv.com.br

Página Inicial | Grupo de Discussão | Blog |Contato

página principal palcoetv.BLOG fale conosco enviar