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 | Being Human
Era uma vez uma casa assombrada na Inglaterra (nada mais natural e previsível, não é mesmo?)... também habitada por um vampiro e um lobisomem.
Esse trio improvável de amigos protagoniza aventuras divertidas, que abordam assuntos sérios com leveza, humor e inteligência. A série mostra com sutileza, lições de tolerância, compreensão e solidariedade, em essência, respeito ao próximo, algo cuja falta é a causa dos maiores problemas noo mundo atual.
Nossos três divertidos excluídos porderiam pertencer a qualquer grupo discriminado hoje em dia: gays, portadores de doenças incuráveis, deficientes físicos e mentais, certas etnias, etc. Brincando, eles falam muito sério e cada epísódio, além de diversão certa, é uma lição de vida.
Mitchell, o vampiro, e George, o lobisomem, são dois amigos que alugam uma casa habitada por uma fantasma insegura em crise existencial. O estranhamento inicial, aos poucos, dá lugar ao companheirismo, amizade, mesmo entre trancos e barrancos (para os padrões ingleses) ocasionais. Em Being Human os personagens se esforçam para serem o mais normais possível dentro de sua condição incomum. Os dois rapazes, aparentemente na casa dos vinte, querem apenas curtir a cidade, as garotas e os pubs de Bristol, onde se passa a história. Mitchell trabalha no setor de limpeza de um hospital, onde George, graças ao amigo, consegue emprego como porteiro.
Escrita para TV por Tobby Whithouse, a serie tem o texto, divertido, sedutor e original, muito valorizado pela direção de Deelan O' Dwayer (de Wine in The Blood).
Os atores que interpretam os papeis principais , fazem um trabalho primoroso, tentando dar um ar de naturalidade a personagens normalmente apresentados na tela de forma aterrorizante ou caricata. O enfoque inusitado deles tornou-se um grande atrativo(e desafio) para os interpretes.Assim nosso lobisemem nerd e seu amigo vampiro desgarrado protaganizam cenas interessantes com diálogos bem construídos. Ambos, como porteiro e faxineiro pertencem a categoria dos chamados "invisíveis", trabalhadores normalmente e injustamente ignorados por outros em funções mais elevadas no mundo corporativo. Em certas cenas a critica social é implacável, como as vezes só conseguie surgir nas produções britânicas.
Guy Flanagan, que interpreta Mitchell, o vampiro, esta se deliciando com o desenvolvimento do personagem. Porque quis o papel? Ser invencível, morder pessoas bonitas, o que mais pode se querer ? observa irônico. "É um trabalho duro mas alguém tem que faze-lo."
Mitchell é um vamp de 120 anos e em ótima forma para sua vampiresca idade. Já teve sua fase de vida louca, de curtição, mas agora quer apenas ficar quieto em seu canto. Sim, agora é um vampiro mais educado, tenta se controlar para não morder, tem pena das vitimas.
Mitchell tornou-se vampiro ao ser mordido por um deles; por esse motivo, ainda sente forte empatia por humanos. Não quer fazer com os outros o que fizeram a ele. Não pode mudar sua condição e também não pode amar ninguém. O amor poria em riscoo imenso esforço para controlar seus instintos predatórios. Após tantos anos já consegue conviver bem com suas limitações como a sensebilidade a luz: anda sempre agasalhado, com cachecol, luvas óculos de sol e muito protetor solar( Viva a Tecnologia!!) , auxiliado pelo fato de que o sol não é um grande problema na Inglaterra.
Mitchell é hostilizado pelos demais vampiros por seu bom relacionamento com seres inferiores(não Imortais), na escala social do grupo. Para eles , um lobisomem é similar a um cãozinho. Annie , a fantasma, é ainda menos. Mas o desprezo do grupo não impede Mitchell, bom caráter e bom amigo, de socorrer seu amigo lobisomem sempre que necessário.
Mitchell proporciona a George a estrutura e estabilidade tão necessárias para ele , que ainda se acostumar a essa condição.
George por sua vez, torna a vida de Mitchell mais interessante , ameniza sua solidão.
Annie , a fantasminha camarada e medrosa(lembram-se do Fantasma de Canterville?) acaba se beneficiando de conviniencia com essa dupla improvovel de amigos e, aos poucos, vence sua agorafobia.
É interessante observar como a qualidade do relacionamento entre os três evolui ao mesmo tempo que diverte e nos faz pensar. Algo muito oportuno nos dias de hoje.
Euridice Mariano da equipe de redatores Palcoetv

explicação sobre O Fantasma de Canterville
O Fantasma de Canterville
Autor : Oscar Wilde
Review by : Alexandre Meirelles
Publicado em: agosto 21, 2007
Inglaterra, 1900 - Um embaixador americano, Mr. Hiran B. Otis, é casado com a bela Mrs. Lucrécia Otis, com quem tem quatro filhos: Washington, de 18 anos, Virgínia, 15, e um par de gêmeos, com 8. Designado para a embaixada de Londres, Hiran decide comprar uma grande propriedade nos arrabaldes da cidade: o Parque Canterville. O dono da propriedade, Lorde Canterville, alerta-o, porém, para um grande perigo: o Parque Canterville é assombrado, desde 1575, pelo terrível fantasma de Simon Canterville que, naquela propriedade, estrangulara sua esposa, Eleanor. Ignorando os avisos do proprietário e assegurando que americanos não acreditam nessas bobagens, Hiran compra a mansão.
Recebidos pela velha, estranha e coxa governanta Mrs. Humney, os Otis mudam para Canterville. Durante a primeira refeição, Mrs. Lucrécia repara que há uma mancha vermelha no piso da sala de jantar. Mrs. Humney explica que é sangue, uma mancha criminosa indelével que marca aquele aposento há séculos. O jovem Washington não se faz de rogado. Numa atitude bem americana, tira do bolso o maravilhoso Sabão Líquido Pinkerton, o "rei da limpeza". Para espanto de Mrs. Humney, com apenas uma esfregada, a mancha desaparece. Desde então, todas as noites, o fantasma – que habita de fato a propriedade – faz reaparecer a mancha e, todas as manhãs, Washington faz com que desapareça.
O famoso fantasma, que se chama Simon Canterville e se orgulha de ser a aparição mais aterrorizante do mundo das sombras, contenta-se apenas em arrastar correntes na primeira noite, mas, já na segunda, materializa-se no quarto do embaixador Hiran, assumindo um de seus vários disfarces horrendos. Porém, para sua surpresa, o casal constata calmamente a sua existência. Mrs. Lucrécia reclama do barulho na noite anterior e Hiran oferece ao fantasma um vidro de Lubrifix, o "lubrificante das multidões", aconselhando-o a passar o produto nas correntes. Indignado, o fantasma parte dali. Ao passar diante da porta dos gêmeos, os dois garotos surgem cobertos com lençóis brancos, dando um susto tremendo no pobre fantasma, que rola escada abaixo.
Humilhado, o fantasma passa a atacar os Otis das formas mais aterrorizantes que conhece (fantasiado de bebê estrangulado, de caveira com olhos de fogo, de armadura flamejante, etc), mas nada surte efeito. A família, além de não sentir medo, acaba pregando-lhe inúmeras peças, inclusive criando um falso fantasma, duas vezes maior que ele. O susto é tão grande que Simon foge pela chaminé, machucando-se e se enchendo de fuligem. Em pouco tempo, o tradicional fantasma de Canterville se arrasta pelos corredores tomando cuidado para não fazer barulho. Agora é ele quem está morrendo de medo da família Otis.
Uma noite, a graciosa e doce Virgínia volta para seu quarto depois de alguns momentos de idílio com seu amado, o jovem e nobre Cecil Ceshire, hospedado por alguns dias na propriedade. Ela encontra o fantasma de Simon sentado na escada, desolao. Sentindo pena, Virgínia conversa com a alma penada. Fica sabendo que Simon só seria libertado no dia em que um coração puro tivesse verdadeira compaixão dele. Dessa forma, sua alma poderia finalmente descansar. Virgínia aceita passear com Simon pelo mundo das sombras e acaba chorando por ele. As lágrimas de compaixão fazem com que o espírito se liberte finalmente. No dia seguinte, é erguido um túmulo para Simon na propriedade com os dizeres que se encontram gravados na parede da biblioteca e que explicam a sua salvação: "Quando uma criança de coração puro conseguir colher dos lábios pecaminosos uma prece, / Quando a estéril amendoeira florescer, / Quando dos olhos puros brotar uma lágrima, / Esta casa ficará para todo o sempre tranqüila / E a graça voltará a Canterville."
De fato, no dia seguinte à confecção do túmulo, a amoreira seca que enfeita o frontispício da mansão floresce como jamais se vira.
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