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 | Grey’S Anatomy – A SERIE HOJE
A anatomia de Grey
Grey's Anatomy é a prova de que uma série não precisa ser a mais original ou a mais complexa para obter sucesso. Ela precisa sim, ser cativante e ter diálogos envolventes. Esta é a linha base de Grey's Anatomy, liderada por uma criadora que desde o primeiro minuto sabia o que o seu público queria, mas que depois de um tempo, foi perdendo o controle de sua própria criação.
Observe, Grey's era uma série injustiçada. Ela surgiu quando ninguém mais acreditava que uma série sobre o cotidiano de médicos em um hospital poderia emplacar. Começou tímida, conquistou terreno e tornou-se o azarão.
Eu adoro azarões. Quem não adora?
E neste sentimento, o que fez "Grey's" conquistar seu espaço foi exatamente o olhar voltado à vida pessoal de seus personagens; esse foi o seu diferencial. Lógico que a vida pessoal dos médicos já era mostrada antes, mas nesta série é muito intensa a utilização do hospital como cenário para "discutir a relação" e sentimentos de ordem pessoal. Apresentou, também, os novatos como personagens principais, tendo que lidar com seus conflitos e ser, ao mesmo tempo, grandes profissionais. Foi ainda, e talvez principalmente, o "festival de pegação" com médicos lindos e apaixonados que ajudou a série a criar sua identidade. O atrativo visual com certeza ajuda a série e não só ela, mas tantas outras...
Junte a esses elementos as vertentes do momento quando falamos de roteiro: O olhar para si mesmo e situações absurdas aplicadas à realidade. E temos aí algo que chama a atenção.
Só que, tudo isso é um ótimo começo e segurou as primeiras temporadas, mas até quando?
O público hoje não quer enrolação, tem que desenvolver. Ele tem que sentir que algo está acontecendo, que o personagem está crescendo, que a série tem uma nova "arc". E a série se perdeu, desestruturou e não soube trabalhar seus personagens.
É a mesma sensação de quando pegamos um carro pra dar uma volta e ficamos andando em círculos em torno de uma praça. Por mais linda que seja a praça, tem uma hora que enche o saco.
As primeiras temporadas foram boas para o gênero. Interessantes e divertidas. Mas, a partir da terceira temporada algo aconteceu. Os diálogos envolventes continuaram, mas as histórias, os personagens, os dramas em geral foram ficando cada vez mais fracos.
Ellen Pompeo não ajuda, é verdade. Não é expressiva, não é carismática. Sua química com Patrick Dempsey não é de todo ruim, mas podia ser melhor. Sabendo disso, acredito eu que houve uma tentativa em tornar a série menos "Grey", e aí o negócio começou a descambar.
Ficou evidente que Meredith estava cada vez mais esquecida na trama, colocada para escanteio e o público sentiu. Acabaram todos em um consenso. Foi como se dissessem: "Olha, ela é chata mesmo, pessoal. Então vamos fingir que ela não tá aqui.". Outra referência a isso é o fato das narrações em OFF antes exclusivas de Meredith começarem a ser lideradas por outros personagens também, até mesmo por um convidado. Destronar assim alguém que deveríamos amar acaba com o personagem e acaba com a simpatia do público em relação a ele. Só que, como ignorar a Meredith Grey? A personagem que leva o nome da série e, portanto, é a principal? Não importa se é um emsemble cast, ela tem o destaque. Olha que coisa incrível, não foi no final da terceira temporada que apareceu Lexie GREY, a irmã de Meredith? E não foi também essa outra Grey que despertou um suposto interesse de Derek, o amor de Meredith?
Pois é, só que querendo ou não, enfraquecer Meredith apenas fez enfraquecer a série. Ela se tornou uma mulher deprimida, chata e insuportável, e o pior, sem um motivo definido. Porque tudo bem apresentá-la como uma garota complicada e deprimida. ADORO personagens com conflitos psicológicos!! O problema é que ela era vazia. Ninguém entendia o porquê de tanta melancolia e ninguém conseguia engolir essa história de tentar se matar só porque a mãe tinha mal de Alzheimer há sei lá quantos anos e se separou de seu pai. MCchorona foi o apelido dela na minha roda de amigos.
Enfim, na terceira temporada meteram os pés pelas mãos. Nem precisa falar daquela história de Izzie e George juntos, né?? Aquilo foi primário! Ficou na cara o que aconteceu. Mesmo assim, faço questão de explicar minha análise dos fatos: Após a morte do Danny, personagem que ganhou grande simpatia e com quem Izzie tinha uma superquímica, houve a seguinte dúvida: com quem Izzie poderia ficar agora? Porque ninguém fica sozinho em "Grey's Anatomy"! O Alex não rolou, o Alex é um personagem que eles gostam de conservar como bad boy. Se colocasse qualquer personagem novo para substitur o Danny este não seria aceito, pois o Danny era muito querido. Resolveram, então, substituí-lo por um personagem que fosse tão querido quanto ele. Um personagem que teria definitivamente a afeição do público; o George. Mas, esqueceram de um detalhe primordial quando se constrói um casal; a química. Não há química entre Izzie e George. Esta acabou sendo a cereja da torta que causou certa indigestão aos seus fiéis seguidores.
A impressão que tive, ao fim da terceira temporada, é que a série teria uma opção se quisesse se salvar. Esta seria tornar a Meredith mais legal, ou ao menos, mais aceita. A trama ainda precisa dela e o Derek, outro personagem bem recebido, sem ela não é nada. Pensei, precisam fazer o público entender a Meredith e aceitá-la, se quiserem sobreviver.
Foi o que aconteceu. Nesta última temporada, nós finalmente sabemos porque a Meredith tem tantos problemas psicológicos. Sua mãe tentou se matar na sua frente quando era pequena e pediu a menina para só ligar para a emergência quando ela já estivesse desmaiada. AAaaah!! Agora sim, eu tenho pena dela. Agora sim entendo sua relação com a morte, seus problemas em se relacionar, seus complexos, seu medo de escuro, etc... Ou seja, agora, depois de quatro anos, começamos a conhecer Meredith Grey. Finalmente sua personagem começou a ser trabalhada, o que me permite ter algumas esperanças. Espero que tenham aprendido a lição e comecem a aprofundar-se nela.
Porém, infelizmente, as outras expectativas que eu tinha sobre a quarta temporada não foram atendidas. "Izzie e George" se estendeu muito mais do que deveria. Tem coisa que é melhor não explicar. Passaram meia temporada explicando o erro, que não deixa de ser erro só porque foi explicado.
Gostaria que a Izzie ficasse mais tempo sozinha, afinal depois de ver o amor da sua vida morrer por sua causa (salve melodrama!) quem vai pensar em relacionamento? Essa é a sensível emotiva Izzie? Na minha opinião, o único relacionamento coerente que poderia surgir de uma personagem como ela seria um amor do passado, o pai da filha dela. Isso seria interessante, ela se envolveria com ele, talvez não romanticamente, mas a faria encarar o abandono da filha, fato pouquíssimo explorado. Enriqueceria Izzie, que é mãe, quase viúva e solitária, e teve aproveitamento quase 0 nesta temporada, como a própria Katherine Heigl declarou. Saudade da cena do banheiro, lembram? Izzie chorando por Danny no chão do banheiro foi, sem dúvida, um dos melhores momentos da série. Imagino que não só eu tenha essa impressão, pois li essa semana que Danny deve fazer OUTRA aparição. Alguém enterra o Danny, pelo amor de Deus! Assim fica difícil seguir em frente!
Outra grande decepção foi o desenvolvimento de Christina. A melhor personagem da série, a médica mais realista, mais completa e a única com quem você tem coragem de largar o bisturi, mostrou-se extremamente fraca. Tudo bem, foi uma temporada difícil pra ela com a saída obrigatória de Burke. É triste ser largada no altar, deprime qualquer um. Burke foi importante em sua vida. OK! Mas, isso deveria tê-la amadurecido como mulher e não destruído como cirurgiã. Infelizmente ela está se igualando a todas as outras, despreparada e confusa. Totalmente incoerente, afinal, quem é Christina Yang? Ela é o tipo de mulher que deixa sua vida pessoal interferir em seu trabalho? Que abre mão de uma cirurgia porque está deprimida? Ela é a profissional e é a que mais se aproxima de um cirurgião real. Sua bajulação a Erica Hahn foi irritante de assistir, porque se tem alguém lá que se garante é ela. A doutora Erica, sem motivo algum, acabou castrando, reduzindo a personagem que tinha tudo pra crescer nessa temporada. Uma pena.
Concluindo, espero que "Grey's Anatomy" venha com temas mais interessantes, situações mais criativas. E não adianta colocar uma história com o menino cimentado nos 45 do segundo tempo, só pra aliviar a sensação de temporada perdida. Queremos uma trama, por favor. Vou dar um exemplo: por que até agora nós não vimos sequer uma vez o famoso "Método Grey" inventado pela mãe de Meredith? Gostaria de ver mais sobre isso. Ta aí uma dica.
Por Marcela – da equipe de articulistas Palcoetv.
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