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Trust Me

Pode confiar. Uma das melhores estréias desta temporada. Aí vão alguns comentários sobre ela.  

É arriscado comentar sobre uma série que acaba de estrear. Isso porque as séries possuem uma estrutura diferente, onde não é necessário correr com as informações. Elas são reveladas no decorrer dos 22 (ou, mais recente, 13) episódios, com um fechamento de uma grande arc por temporada.  

Por isso, normalmente comento séries que encerraram a Season. Aí, vejo onde ela queria chegar e onde ela, de fato, chegou, e tudo mais que estava nas entrelinhas para amarração.

O que funcionou e o que ficou na idéia.

Mas, hoje estou com espírito aventureiro. Decidi arriscar uma análise sobre a série recém-lançada "Trust Me".

Esta é uma série da TNT que promete mostrar a rotina de uma agência de publicidade em Chicago, tentando manter-se no mercado em meio a crises e baixas na equipe. Mostra também a vida pessoal desses publicitários da Rothman, Greene & Moore, e como ela é afetada.

Esta série chamou minha atenção, e devo confessar o primeiro motivo, porque sou fã de MAD MEN. E ficou subentendido, entre um anúncio e outro, que TRUST ME seria MAD MEN dos tempos atuais.

Pois bem. O segundo motivo, foi a abordagem de um universo criativo. Um lugar onde se criam grandes slogans e campanhas exige muita, mas muita criatividade. Pois, é um trabalho a parte do roteirista da série. É preciso talento para desenvolver campanhas reais.

E o terceiro motivo seria: com tantas séries de escritórios será que esta sairá do lugar comum? Ela vai oferecer conteúdo, entretenimento e, principalmente, crítica sobre esse meio?                            

A seguir, a minha análise, talvez prematura, porém impune sobre TRUST ME:

MAD MEN x TRUST ME

Trust MeAdoro MAD MEN. Mas, o que é legal em Mad Men? Digo, além do Don Draper (Jon Hamm)?

Mad Men tem uma reconstituição de época impecável. É muito bem escrita. É inteligente, com suas campanhas interessantes e polêmicas, e é sincera... sobre as pessoas.

Mas, a crítica de Mad Men não é exatamente sobre a publicidade.

Veja que, este é um assunto delicado, já que é a publicidade que mantém programas no ar. Portanto, existem seus limites.

Em MAD MEN, mesmo quando alguma atitude não é profissional, se refere mais à vida pessoal do personagem do que a um "comportamento de um publicitário".  

Fala-se pouco de briga por contas, rasteiras, capitalismo e a venda, a qualquer custo, de uma ilusão. Ali, eles acreditam no que eles vendem, eles dispensam clientes e tiram férias por conta própria. Não sei dizer se esse era o procedimento de 40 anos atrás, mas, certamente, causa estranheza hoje em dia.

Nesse ponto, TRUST ME é mais realista. Por não possuir a ambientação nos anos 60, que automaticamente chamam a atenção e apresentam críticas sociais (mulheres grávidas fumando, homens machistas, etc...) ela é obrigada a lançar mão de outros artifícios.

Exibe a competitividade, deixa clara a tentação do poder e lucro.

Mas, ainda se prende em personagens íntegros e simpáticos, como um Diretor de Criação(Mason - Eric McCormack) justo e correto. E um redator (Conner – Tom Cavanagh) que age impulsivamente, sem considerar as regras, não porque é ambicioso, mas porque é fiel a seus ideais.

A novata de Trust me, Sarah (Monica Potter), é bastante parecida com a novata de Mad Men, Peggy (Elisabeth Moss). Mas, transferida para uma época pós-feminismo.

As mulheres fatais, sempre presentes na série dos anos 60, em Trust Me não tem muito destaque. Bem, digo isso sem saber direito as intenções da chefe, Denise, em relação a Mason. Os publicitários de hoje parecem mais saudáveis: pouca bebida, sem amantes e nem um fumante sequer.

Me parece que os críticos erraram na comparação. Não importa o tema da série, o importante é a intenção. E as duas parecem ter focos bem distintos, tanto em enredo quanto em comportamento e crítica. E, mais nitidamente, em RITMO e DIÁLOGOS.

Ambas entregam seu trabalho. De formas diferentes.  

CONHECENDO TRUST ME

Trust MeSim, a abordagem do universo criativo é exaustiva para um escritor. Não basta estruturar episódios e personagens. Não basta buscar temas e arcs, ou bons diálogos. É necessário provar que seus personagens são competentes criadores de campanhas premiadas.

O que significa que esse mesmo roteirista (pobre coitado que recebe por apenas um trabalho) precisa criar slogans, comerciais, conceitos e campanhas interessantes e atuais também.

Por isso eu digo, os roteiros de TRUST ME são realmente muito bons, não por acaso. Os criadores são ex-publicitários de Chicago (Hunt Baldwin e John Coveny). Roteiros amarrados, conectados e relevantes, eles cumprem o papel, e ainda contam com quotes sarcásticas (das que eu tanto gosto).

O que MAIS você pode esperar desta série...

Temas atuais, reais e focados no cotidiano de uma agência de publicidade.

O que gosto nessa série é que ela mantém o foco e, por isso, aborda temas com profundidade e por vários aspectos. Vou citar alguns que vi nesses primeiros episódios:

*A questão dos altos padrões, ostentação e luxo... em época de crise. Dá para sentir o medo constante de uma demissão, substituição e clientes desistentes.

*Mais sobre universo pesado e competitivo da publicidade, como traição, roubo, inveja e ego. Aliás, COMPETIÇÃO E EGO são temas recorrentes e criam a tensão na série.  

*Mundo dos negócios, relação entre colegas e riscos. Lucro.  

*Persuasão e mentiras. Muitas mentiras. Eles enrolam e convencem clientes e colegas o tempo todo.

*Indústria jovem e descolada. Artistas exclusivos e instáveis.

*Relacionamentos pessoais x trabalho.  

*A segurança x defender ideais. Pensar no time ou em si mesmo. Reconhecimento.

Personagens bem definidos

Trust MeO Piloto é o responsável por passar o "currículo dos personagens" (cargos, relacionamentos, tempo de trabalho, prêmios...). Em TRUST ME não é diferente. Frases como "você é como meu irmão não idiota" exemplificam a relação dos dois principais personagens, os parceiros Mason e Conner.

Conner é o artista louco, livre, cara de pau. Mason é o profissional pé no chão, que recebe uma promoção e torna-se Diretor de Criação (e chefe de Conner).  

Essa promoção de Mason é a grande virada, mostrando conflitos na relação de trabalho x pessoal que aparecerão no decorrer da série.

Ele consegue o título após a morte do, até então, Diretor de Criação, o estressado e prestigiado Stu (Jason O'Mara).

Desde o primeiro momento, é nítida a diferença de comportamento entre Stu e Mason.

O que irá maximizar o conflito de Mason agora em um cargo tão importante. Afinal, é fácil manter-se bonzinho quando você não precisa lidar com o poder.

A partir daí, a pergunta que insiste em todos os episódios é: Em que tipo de chefe Mason vai se transformar? Ele irá mudar pelo cargo?

Amizade entre Conner e Mason logo fica abalada com a mudança, e deverá causar mais situações difíceis ao longo da temporada.  

E, conforme os episódios vão chegando, percebemos atitudes que põem a prova sua postura, como extremos para manter clientes, roubo de idéias, contratações para evitar processos... Mostrando que as coisas não ficarão iguais.

A chegada de Sarah, a ingênua, deslocada e pouco valorizada redatora, ilustra rapidamente o caráter desta. Apesar de ser "reclamona" e retraída, Sarah é leal e talentosa. A novata começa a ganhar a amizade e respeito em meio a esse grupo de homens. O trio começa a se formar de maneira lenta (eles demoram um pouco a se entender), porém prometendo algumas confusões. Conner parece interessado em Sarah, sem saber que ela e Mason já tiveram algo no passado...

Também, fica bem claro que, para estes publicitários nada permanece em segredo por muito tempo. Eles gostam de anunciar. Isso torna o ambiente hostil, cheio de "puxadas de tapete" e egos feridos.

Diálogos rápidos e inteligentes

Adoro os diálogos dessa série. São certeiros, como um texto publicitário. Palavras e termos inventados são constantes. A conversa rápida, sempre em meio ao caos e a pressão, dá o ritmo necessário.

E muitas discussões entre Mason e Conner, mostram o quanto pode ser difícil, mas também produtivo trabalhar com alguém tão diferente de si.    

Edição criativa

Trust MeUma série que fala sobre criatividade tem a oportunidade de brincar com linguagens.

Isso acontece no Piloto de Trust me, mas, como muitas vezes nas séries, não é utilizado ao longo dos episódios. Uma pena!

A tela dividida, mostrando vários ângulos de visão de Conner ao se deitar no chão do escritório, não foi mais vista.

Outra falta é que as legendas, tão interessantes e engraçadas, que apareciam no Piloto para identificar personagens e situações, sumiram.

E como recurso criativo foram inseridas algumas "alucinações", o que nos permite entrar em contato com os medos e profundos dilemas dos personagens principais, mas que já foram usadas tantas vezes... Pareceram-me sem propósito.

Vale observar dois pontos positivos:

Gostei do início do episódio 2, que começa como um comercial.

E, destaque para cena do piloto, uma corrida de Conner, com a música "Freedom" de fundo, e seguranças correndo atrás. Achei bem engraçada.

Concluindo, TRUST ME é uma série dessa nova "leva" que me surpreendeu. Eu acompanho e recomendo.

Por Marcela – da equipe de articulistas Palcoetv.


 

 

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