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Webséries e Produções Nacionais para Internet
Por Marcela – da equipe de colaboradores PALCOETV. O novo formato de dramaturgia para Internet vem crescendo no mundo todo. No Brasil, isso não é diferente. Após a lista de websérie internacionais, decidi compartilhar também uma listagem nacional – e está aí uma boa resposta a todos os e-mails que chegaram reclamando da falta de legendas. Existem produções nacionais, sim! São poucas em relação a outros países como Estados Unidos e Inglaterra, mas não vejo como poderia ser diferente. O investimento e acessibilidade, sem contar o número de profissionais na área cultural e produtoras de vídeo, são maiores lá. Fato. Mas, isso não significa que falte no Brasil talento e vontade... Ao contrário! O trabalho tem sido tão bem feito que vários artistas da Internet já migrando para outras mídias, especialmente, para a televisão. A web trás destaque. É um portfólio a céu aberto e acaba sendo a porta de entrada para estes profissionais. Para me ajudar com a real perspectiva das nossas produções na web conversei, separadamente, com jovens artistas pioneiros que já trabalham por essas bandas largas: Flávio Langoni (2012 Onda Zero), Matheus Siqueira (Flying Kebab), Fabiano Moura (O Legado), Felipe Reis (Conversas de Elevador), as atrizes de As Olívias e Fábio Montanari (Privadas e Vida no trânsito). Eles me concederam algumas respostas sobre o cenário atual que compartilharei com vocês, juntamente as minhas percepções. O início Afinal, as webséries estão começando agora a ocupar um espaço: "Quando eu conto para alguém (sobre a websérie) a pessoa pergunta como funciona isso (risos)", revela o ator Elias Hatab, da webnovela "Pela Primeira Vez". Essa experiência corresponde exatamente ao que todos passamos quando produzimos um novo conteúdo. Estamos sempre respondendo a muitas dúvidas. Algumas que nem nós mesmos sabemos, ou que ainda estamos descobrindo. "...estão em fase de experimentação, poucas são as iniciativas que podem ser vistas como tendo um perfil plenamente definido... pontos importantíssimos ficaram mais claros no último ano. Como tempo de duração adequado, saber de onde o público estará acessando (do trabalho, de casa, da Lanhouse, 3G) e a faixa etária alvo", diz Flavio Langoni sobre os desafios desse novo meio. E, geralmente, o projeto de websérie chega como um teste. É liberado um piloto e dependendo do retorno dos internautas, mais episódios são produzidos. Quanto a diferença de formato, muitas séries possuem pouquíssimos capítulos apesar de apresentarem potencial para mais produção. Talvez isso ocorra pelos gastos de produção, mas também é uma característica ligada a nossa cultura que atende mais a produção de minisséries. Muitos são curtas divididos em capítulos. De qualquer forma, apesar de tomar como referência a TV, as webséries e outras produções tentam encontrar a sua cara, mais apropriada a web: "a internet traz consigo um desafio muito grande para quem trabalha com audiovisual: quais os melhores formatos para ela?... criar um formato diferente e que transite bem pela web. Imaginar uma coisa ousada, mas que não cause tanto estranhamento a ponto da pessoa não assistir ao vídeo até o final", observa Fábio Montanari. Porque a Internet? A escolha da Internet como meio por esses profissionais acontece por três motivos básicos: Meio democrático e livre, amplo alcance de público e interação direta com espectadores. "Nos interessa a originalidade e diversidade do que é produzido hoje em dia que não precisa estar preso a formatos já consagrados na TV e no cinema", disseram as meninas de "As Olivias". E, Fábio Montanari cita a vantagem: "Em uma produção independente, você conta a história exatamente da maneira como você quer contá-la. Tem mais liberdade nas etapas de criação, não tem os vícios de uma grande produção". Sobre o alcance de viewers Matheus Siqueira complementa: "Vejo a web como uma forma de atingir um grande público impossível de outro modo para alguém que está começando na área do cinema... não é necessário esperar por editais para poder realizar seu trabalho". "As Olivias", vindas dos palcos, afirmam que a idéia de tamanha acessibilidade foi sedutora: "Principalmente se pensarmos que é uma parcela ínfima da população que tem a possibilidade ou o interesse em freqüentar o teatro". Felipe Reis mostra ainda que assim como podem ser vistos pelo público, uma das vantagens é estar aberto aos profissionais da área: "Divulgação do seu trabalho; rapidez; novas oportunidades". Já a questão da interatividade é a vantagem mais fascinante desse canal. O relacionamento direto com público. "Hoje o hábito de "assistir" está sendo substituído pelo de "participar", uma exigência que tem crescido bastante motivada por essa nova geração de público, que desde a infância vem convivendo naturalmente com computadores, videogames e celulares", afirma Flavio Langoni. "Você coloca um episódio no ar e, dois minutos depois, uma pessoa no Acre já está comentando e indicando aos amigos", contam "As Olivias". Liberdade, Onipresença e Contatos Quase Imediatos. Não é a toa que caiu no gosto dos criadores de todo o mundo. Como são produzidas as webséries A iniciativa ocorre ou de forma independente ou através do interesse da empresa em entrar na Internet. Daí profissionais são procurados. Isso explica o nome de grande produtoras envolvidas em webséries. O pitching ainda é raro. Conclusão, muitas produções ao invés de inserir publicidade na dramaturgia tornam-se peças publicitárias. Parte de uma ação de marketing. Não é, na maioria dos casos, oferecido um apoio cultural. Em relação às produções patrocinadas, existem dois aspectos: O investimento e as limitações da publicidade. Por um lado, o apoio tão necessário nesse momento é uma vitória, um reconhecimento do valor deste meio. Impossível negar que sem o suporte dessas empresas teríamos menos produções nacionais ainda. Reconheço que é necessário coragem dos patrocinadores em investirem em algo totalmente novo. Fabiano Moura, por exemplo, conseguiu com o patrocínio da revista Contigo! e Dermacyd uma oportunidade de dirigir e criar uma série logo no início da carreira. "Para mim foi uma boa experiência, pois trabalhar com publicidade é uma forma produtiva de conseguir se sustentar no meio audiovisual", diz Fabiano. Acredito que o desafio para quem produz séries patrocinadas fica na questão da interferência da publicidade dentro da proposta, o que difere de projeto para projeto. Quando o conteúdo é bom e existe uma boa relação entre as partes a qualidade não se altera. Minha observação não é sobre usar ou não patrocínio, mas como usá-lo. Sou a favor de inovação, as empresas devem se abrir para novas ideias. Já que estamos falando de um meio onde tudo é permitido, a publicidade também pode explorar muitas formas de se apresentar sem interromper o público. Durante essa pesquisa encontrei publicidades muito bem aplicadas outras mais explícitas, e outras explícitas e criativas. Ou seja, existem várias maneiras de divulgar o seu produto e as mais sutis e divertidas (com menos cara de campanha e mais cara de seriado) são as que possuem melhor resposta. Além da questão do financiamento de uma websérie, outro grande desafio é a divulgação. Vou te contar, para fazer essas listas é necessária muita pesquisa. Mas, muita pesquisa! É aí que mais uma vez entra a força da publicidade. Nas produções independentes, apesar da liberdade criativa total, outras dificuldades se apresentam. Para conseguir uma divulgação, Felipe Reis dá a fórmula: "Dinheiro e paciência, pois você tem que espalhar para o máximo de pessoas que você conseguir". "Para você ter algum destaque, você precisa batalhar bastante, ativar todos os contatos possíveis", diz Fábio Montanari. Se sustentar é, logicamente, a questão mais complicada. Estes projetos estão sendo construídos por essa geração "pro bono" de profissionais audiovisuais, que conhece o projeto de um amigo e, acreditando no potencial do vídeo, participam. As condições de trabalho são muito claras: "Quando você produz para a internet, da maneira que eu produzi, você dá conteúdo para as pessoas, mas não recebe dinheiro por isso", explica Fábio. E, talvez, pelo retorno ser apenas pessoal, todos se envolvam muito rápido. Todos são donos do projeto. O que não significa que o dia-a-dia seja fácil. A Internet levada a sério Ainda, ocorre no Brasil, talvez pela falta de recursos anteriormente citada, uma movimentação maior dos departamentos de marketing do que de artistas independentes. Quer dizer, pela lógica, deveria haver mais profissionais aproveitando esse espaço livre e desimpedido. Não acredito que seja apenas falta de verba (ideias simples e com gasto mínimo vem fazendo sucesso), nem falta de criatividade ou até um número maior de empresas interessadas do que de artistas querendo espaço. Mas, eu vou dizer algo, e posso dizer porque sofri na pele, muitos artistas não reconhece a Internet como mídia séria. Ainda existe um preconceito da própria classe com aquilo que é feito para a web. O conflito entre o amadorismo e o profissional inovador, ambos caracterizando a nova geração virtual. Como contou Matheus Siqueira, "A websérie é vista com um formato medíocre de audiovisual... quando é mencionado que você dirigiu uma websérie a primeira reação é lembrar dos adolescentes gritando em webcams com vozes de "Alvin e os esquilos" no yotube". Sendo assim, como convencer um investidor a acreditar no seu trabalho? É importante dizer que apesar do interesse de grandes empresas neste formato e da apresentação de mais criações em comparação ao número de produções independentes, ainda é um começo. Não é a maioria das empresas que está convencida da seriedade desse meio. Afinal, como comprovar um retorno? Como bem disse Flavio Langoni, "Baseado no grau de dificuldade de captação para projetos em mídias mais tradicionais, podemos imaginar como é fazer algo numa mídia que acabou de nascer". O Futuro O cenário atual das webséries nacionais é de um grande espaço pouco aproveitado, mas que até o momento tem sido utilizado com profissionalismo e criatividade. Me surpreendi com a qualidade das produções e isso reafirmou a minha crença no nosso potencial. Como citou Matheus Siqueira, "...a mistura étnica e cultural pelo qual o povo brasileiro passou possibilita uma criatividade e flexibilidade que quando aplicada as artes resulta em obras fantásticas". Em relação ao futuro das produções feitas para Internet, podemos observar muitas possibilidades. As meninas de "As Olivias" disseram "é o que há de mais atual". Acredito que é onde o crescimento acontecerá. A principal mudança que todos esperam é a chegada efetiva dos investimentos com a popularização das webséries. Fábio Montanari comentou sobre o interesse das marcas: "Imagino também que mais produtos estarão envolvidos nas produções dessas séries... E isso é mais força para as produções, não só na realização com grana, mas na criação com mais cuidado. Como todos sabemos, publicidade e conteúdo diferente na web têm andado bem próximos". Tais investimentos são necessários para manter o nível e continuidade das séries. "Precisamos de orçamento para ter produções com nível compatível a demanda do público", diz Fabiano Moura sobre a qualidade de produção. E não são apenas "produtos" que encontraram seu espaço na web. Emissoras já estão se movimentando para firmar seu público na nova mídia. "Em pouco tempo esse quadro vai evoluir, visto que grandes emissoras de tv já começaram a se interessar. Acredito que até o ano 2012 tudo estará bem diferente e divertido, mas... não façam planos para 2013!", brinca Flavio Langoni, em relação ao título de sua websérie "2012-Onda Zero". Se bem que, quando os patrocinadores e emissoras chegarem (e isso é realmente uma questão de QUANDO) a conversa será outra. O cenário mudará em vários aspectos. Haverão mais e melhores produções, mais reconhecimento e empregos. E salários. Mas, o poder da divulgação ficará nas mãos de poucos, do trabalho que puder bancar um destaque de forma ainda mais intensa do que vivemos hoje. E o meio democrático e livre? Bem, dependerá de oportunidade e ousadia, que eu espero, seja a identidade desse novo meio. Então, que tal aproveitar agora esse espaço? Independente da intenção, acredito que, em breve, mais profissionais, conhecidos ou iniciantes, encontrarão nesse formato um meio poderoso de transmitir mensagens. E enquanto este momento de ascensão se inicia, vamos dar uma olhada nos pioneiro? Listarei a seguir as principais webséries nacionais, ampliando a pesquisa para produções de esquetes/ humor: DRAMA / FICÇÃO CIENTIFICAMina e Lisa (Núcleo Virgulino) Provavelmente a primeira websérie de drama feita no Brasil (Maio/07). Muito popular entre os "viewers", conta o dia-a-dia das adolescentes de origem nipônica Mina e Lisa, sendo que o foco está na tentativa de Mina em perder a virgindade. Divertida e com linguagem realista, a websérie acerta na escolha das atrizes. Apresenta várias externas na cidade de São Paulo, não de uma forma "turística" (com aqueles costumeiros arranha-céus), mas mostrando como moradores, em seus bairros, vivem a cidade. A atriz Liana Naomi (Mina) foi convidada a participar de produções da Globo.
Número de websódios: 24
Hell Babes (Ilha Bela) Esta produção teen chegou para chamar a atenção das jovens internautas para os novos lançamentos dos sapatos Ilha Bela. Com participação de Alexandre Slaviero, interpretando ele mesmo, mostra um grupo de garotas com temperamentos distintos que tem como missão raptar homens atraentes. É, também não sei o propósito, a não ser o explícito intuito comercial da peça, que deixa a desejar em histórias e atuações. Mas, a iniciativa de aliar marca e dramaturgia na web começou a despontar aí. Interatividade: O site que mantinha o material de Hell Babes foi tirado do ar. Os vídeos, incluindo Making Of, podem ser vistos pelo Youtube.
Número de websódios: 3
Desenrola (Oi Futuro/ Produtora Raccord/ Apoio PlayTV) Websérie adolescente discute o comportamento e relações entre jovens de 17 anos. Priscila, Orelha e Miguel são os personagens principais e juntos eles decidem fazer um vídeo diário para registrar uma das melhores fases de suas vidas. Os textos não soam muito naturais, mas os temas são bons e coerentes com a proposta. Produção bem feita. O ator que interpretou o personagem Orelha (Micael Borges) participou posteriormente da temporada de Malhação. Exibida na PlayTv, todos os sábados 18:30. Interatividade: No portal oficial, existem várias opções de interatividade como fórum, jogos, links para redes sociais e um concurso onde espectadores podem enviar vídeos.
Número de websódios: 20
Entrelaçadas (Seda/New Content) Minissérie feita pela Seda para promover o shampoo Seda Chocolate. Mostra a história de Mariana, estudante jornalismo e fã, em busca de um estágio com sua jornalista de moda preferida. Bem produzida, tem publicidade aplicada de uma forma coerente na história. Fica clara a intenção publicitária da série sem ser agressiva. Vale por arriscar em ângulos de câmera diferentes e pelas atuações divertidas. A ação foi exibida em canais da Tv Aberta.
Interatividade: Saiu do ar. Pode ser visto pelo youtube
Flying Kebab (Indepentende / Distribuição Nacional Enxame.tv) Conta a história de Nando, um brasileiro que recebe uma carta revelando que possui uma herança no Líbano e decide, então, ir ao país atrás desta misteriosa herança. O projeto de "Flying Kebab" se iniciou quando os criadores Matheus Siqueira, Cléderson Perez e Fernando Borges decidiram aproveitar a viagem de um ano que fariam pelo Oriente Médio para mostrar as diferenças culturais e belezas do local. A preocupação estética é algo à parte: "...acredito que devido a forma rápida com que a informação circula pela internet há uma grande perda de qualidade no ímpeto de lançar algo o mais rápido possível", acrescenta Matheus. Por isso, a produção de Flying Kebab é diferente. Eles gastam aproximadamente 60h de pós-produção para cada episódio, e assim conseguem um resultado excelente. Uma websérie completa. Os vídeos alcançam não só o Brasil, como também um grande público na Europa, Estados Unidos e no Oriente Médio e através do apoio desses espectadores conseguiu arrecadar U$ 900,00 para dar continuidade às gravações.
Interatividade: Este projeto investe bastante na interatividade. Planeja utilizar as mídias sociais como o twitter, flickr e facebook para complementar o enredo. Tem encontros no Líbano com os viewers.
Os Guardiões (Guaraná Antártica/ TV1.com) Gabriel tem a missão de levar um colar contendo o "fruto essencial" encontrado na casa de seu bisavô até a árvore do Guaraná, e assim, reenergizar toda a plantação do fruto. A peça brinca com mistério da fórmula secreta do refrigerante. Esta websérie investiu na técnica e em efeitos especiais, mas o roteiro é mais corrido do que deveria e acaba com muitos clichês e ações falhas. Em especial, o episódio final incomodou com o marketing excessivo do Guaraná. Mas, o que é válido nesse projeto: A proposta de um universo misterioso é bacana e bem utilizada através de interatividade. Outra característica importante, um viral foi produzido simultaneamente onde o personagem Wenceslau, amigo de Gabriel, continua a combater os inimigos Cavaleiros de Cinza (que tentavam impedir Gabriel em sua missão). Para isso, ele posta um vídeo e pede participação dos internautas. Uma nota curiosa sobre a série: O 3º. Episódio causou polemica e resultou em retratação da equipe do Guaraná. Alguns usuários e donos de Lan House ficaram ofendidos com a forma que o comércio foi referido na trama. Após receber muitos comentários negativos sobre o assunto, a empresa divulgou: "...essa caracterização não se aplica à realidade desses ambientes de interação digital e não teve a intenção de prejudicar ou denegrir a imagem das lan houses". Sim, eles precisaram explicar que uma série é uma ficção. Foi exibida pela Tv Terra e na Rede Tv.
Interatividade: Jogo chamado Cofre Digital, com desafios sobre os mistérios da formula. Fotos, músicas, wallpapers e redes sociais dos personagens.
2012 Onda Zero (Kilmerson/Hydria) Primeira websérie de Ficção Cientifica do Brasil. E já imagino a reação "Sci Fi Nacional?? Sendo que estas produções são poucas até mesmo em outros meios, mais consolidados?". E confesso, essa foi uma das perguntas que fiz a Flavio Langoni, criador da série. Ele citou a preferência dada pela lei de incentivo cultura a outros gêneros e temáticas, limitando o potencial criativo e de realização. Também a limitação da língua portuguesa sendo um empecilho na exportação, onde ficamos nas mãos de distribuidores. Mas, apesar das dificuldades, o potencial está aqui e começa a exigir espaço. "Quem acha que brasileiro não sabe realizar sci fi é porque está entorpecido por este "esquema de controle cultural"", diz Flávio. E, realmente, os efeitos especiais e a qualidade de produção são excelentes! Além de Flavio, o enredo recebeu colaboração: "Onda Zero é fruto de um exaustivo e incrível processo criativo de desenvolvimento a "sete cabeças"", afirma o criador. A série promete boas histórias e uma ação bem planeja tanto no sentido técnico quanto criativo. Será contada em "camadas", misturando mitos, crenças e ciência. É a história de JP, um rapaz que começa a ter alucinações sobre o fim do mundo e se afasta de todas as pessoas de suas vida. Mas, o que realmente o espera é um dos muitos mistérios desta trama. Aliás, mistério é o que não falta. O próprio conceito desse projeto, que promete ir além do formato websérie, é sigiloso. "O foco principal ainda não foi mostrado. Estamos "herdando" recursos de um projeto maior, com objetivos ainda mais ousados, mas que por ora será mantido em sigilo total. No entanto, posso dizer que estamos trabalhando duro em "algo" inteiramente novo", conta Flavio. Ele completa: "o foco principal não é contar uma história, é criar meios de se participar dela". Aguardem!
Número de websódios: Episódio Piloto. Temporada em produção (10 episódios)
Pandora (Volume 6 Produções) Estudantes da Universidade UNIMEP produziram uma série interessante e que poderia render vários capítulos. Indico porque vejo um potencial na proposta: amigas de colegial que se reencontram e, assim, percebem como mudaram e tudo o que deixaram para trás. A trama que poderá ser desenvolvida para que as amigas tenham suas vidas entrelaçadas novamente exige criatividade. Precisa de continuidade. Vamos aguardar.
Número de websódios: 3
COMÉDIA
Conversas de elevador (Independente) "A idéia veio ao acaso. Comprei minha primeira filmadora e decidimos gravar algo rápido, curtinho para estrear o equipamento. Sugeri o elevador. Quando vi pronto, falei: "Cara, isso dá uma série".". Foi assim que Felipe Reis produziu a primeira websérie nacional (Abril/2007). Quem nunca ouviu uma conversa engraçada ou passou por uma situação constrangedora enquanto pegava um elevador? Essa é a temática da websérie "Conversas de Elevador" que mostra o dia-a-dia de Edgar, um morador do Edifício Barão de Salamera, através do elevador do prédio. Conceito muito bom, simples, barato... é um cenário e pronto! Felipe, radialista e ator, conta que o processo todo é feito de maneira caseira. "Meu equipamento é simples, mas acho que isso é que dá a cara que o pessoal gosta". Hoje, depois de 3 anos de série, ele recebe ajuda da produtora PHM no casting e de Matheus Stockmann na trilha. Mas, desde o início seu trabalho é realizado de forma independente, sempre contando com o apoio de amigos. O sucesso e permanência na rede, segundo o criador, se devem a força de vontade e feedback positivo geral: internautas, imprensa, mídia e, amigos. E, eu acrescento, qualidade. As histórias são criativas e nunca caem na monotonia. Para "quebrar" as imagens do elevador, outras locações do prédio também são utilizadas para complementar as histórias. A voz em off, com os pensamentos de Edgar, além de divertida contribui com a narração.
Número de websódios: 36 episódios, 1ª. Temporada. 21 episódios, 2ª. Temporada
O que que é isso? (Localweb/ /GNova /O2) A popular série da Localweb apresenta um roteiro muito bom. Divertido, engraçado, clara caracterização de personagens e o melhor, o marketing é apresentado de uma forma tão sutil e inteligente que não incomoda. A marca é associada sem precisar ter seu nome repetido mil vezes no roteiro. As arcs são simples, mas te deixam com vontade de acompanhar até o fim. Um roteiro rico. A história? O cotidiano de uma empresa que importa produtos de beleza guiada por um grupo de funcionários, digamos, fora dos padrões. Tanto que delírios e fantasias são apresentados de forma freqüente nessa websérie. Ah, outros detalhes que adorei são os duplos-sentidos e críticas nos textos.
Número de websódios: 8 episódios, 1ª. Temporada. 8 episódios, 2ª. Temporada
Vida no transito (Independente/FizTV) Produzida para o extinto Canal FizTV, do grupo Abril, o primeiro canal no Brasil de convergência Tv/Internet. Fábio Montanari, criador da série e trabalhando no Canal, sentiu aí o primeiro gosto pelo formato. Tanto que hoje, juntamente com um grupo de amigos, formou a Praga Filmes, um núcleo de estudo de novos formatos. Fábio teve a ideia original para "Vida no Transito" em uma viagem fora da capital paulista. Esta comédia se passa em um futuro onde a cidade de São Paulo estará tão lotada e com um trânsito tão insuportável que as pessoas serão obrigadas a morar em seus carros. Todos os dias a rádio trânsito indica quantos centímetros serão andados pelos veículos e a convivência entre os motoristas torna-se inevitável. É aí que nós acompanhamos a vida do Sr. Noir (interpretado pelo próprio Fábio) e sua relação com seus "vizinhos" de trânsito. "Apresentei essa ideia aos meus amigos e companheiros de trabalho, Gustavo Chiappetta e Marcelo Botta, e desenvolvemos os roteiros", conta Fábio. Essa série é, na minha opinião, a que possui proposta mais criativa. Posso dizer que apesar do aspecto de conscientização presente no projeto, e como disse Fábio "talvez, ele abuse das alegorias nas construções de alguns personagens e de alguns conflitos", nada tem daqueles cansativos educacionais. A ideia é trazer reflexão para temas do cotidiano. E isso é feito com humor.
Número de websódios: 8
Privadas (Apoio Bureau / Praga Filmes) Também do criador Fábio Montanari, essa série recebe criticas muito positivas! "Privadas" agrada geral, é bastante citada. Isso porque, ela não é apenas engraçada, mas possui uma sacada ótima: as histórias são conversas entre dois amigos que acontecem em um banheiro público, onde são mostrados apenas os pés dos interlocutores pelo vazado da porta. "Uma coisa que todos sabem é que vídeos muito grandes, na internet, são mais difíceis de serem assistidos. Para isso, percebi que conflitos que pudessem ser resolvidos em um só cenário ajudariam bastante", conta Fábio. Assim, encontrou no banheiro do próprio local de trabalho o cenário de sua próxima criação. "...por que não fazer uma websérie assim, sem o rosto da pessoas? Só com os pezinhos e com a fala dos personagens, você já sabe bastante sobre eles". As conversas são sobre temas do cotidiano. Privadas é produzido através do apoio da Bureau, que cede os equipamentos e dos amigos de equipe e elenco que abraçaram o projeto, assim, pro bono. Foi exibido no Programa Novo, da Tv Cultura.
Número de websódios: Os dois atores principais são Fábio Lucindo, dublador e apresentador da Tv Cultura e o Victor Coelho (Mionzinho) atualmente em um novo projeto da Record.
As Olivias Queimam o Filme (Olívia Produções Artísticas/ TJ Produções) O grupo "As Olívias", sucesso no teatro e com apresentações em todo o Brasil, trouxeram para a Internet suas esquetes de comédia. "As Olívias Queimam o Filme" é uma versão, no formato websérie, do trabalho que estas talentosas meninas já vinham realizando nos palcos, mas que pedia os recursos do vídeo. "...percebemos que muitas histórias que queríamos contar necessitavam de uma "mídia" diferente do teatro para serem expressas da maneira que gostaríamos. Tínhamos algumas idéias incríveis e sempre falávamos "Isso ficaria legal no vídeo"", contam as criadoras. Foi aí que chegaram à decisão de produzir para a Internet. Nesse projeto preciso destacar os textos hilários que mostram questões do cotidiano feminino por um ponto de vista cômico bem original. Ali, todos participam da criação. As atrizes, o diretor Victor Bittow e a dramaturga Andréia Martins se unem a partir de uma ideia sugerida e vão aprimorando o episódio até todos aprovarem. Portanto, o tempo de finalização é bem variável: "Mas é uma opção que a gente faz para poder produzir um trabalho de qualidade". A websérie é 100% produzida pela própria equipe e teve inúmeras colaborações de elenco, equipe técnica e locação para que fosse realizado. A coordenação de produção é de Thiago Montelli. Participam da websérie vários comediantes convidados como Daniel Nascimento, da Cia. Barbixas de Humor, também responsável pela direção dos episódios. Agora, as Olívias podem ser vistas também na Tv, no programa "É Tudo Improviso" da Band.
Número de websódios: 8 episódios, 1ª. Temporada. Mas, não deixem de assistir também "Amigo Secreto da Firma", pelo mesmo canal.
Control C Control V (MSN/ Apoio LG, Nova Schin e Colgate) Série Antológica. Cada episódio é baseado em uma história enviada por um internauta sobre uma conversa ou situação engraçada que ele contou a um amigo através do MSN. Todos os vídeos são de caráter cômico e são histórias reais (teoricamente). O MSN ainda faz uma seleção onde concede prêmios a textos escolhidos. É possível assistir ao making of de alguns episódios. Algumas histórias são mais divertidas que as outras, como é de se esperar de uma obra antológica, mas todas mantêm qualidade de produção.
Número de websódios: 10 episódios, Uma Temporada.
Os coleguinhas (Independente / Parceiros Naymar e Batom Design) Os coleguinhas são um grupo de artistas desempregos que dividem o apartamento e tentam se sustentar com os "bicos" que conseguem. Cansados dessa vida de dureza, decidem abrir uma sociedade onde eles mesmos montam espetáculos e vídeos pela Internet para mostrar seu trabalho. E conseguem se destacar. Ou seja, uma websérie sobre uma galera que produz webvídeos. Metalinguagens à parte, uma iniciativa legal dessa produção é a conexão que eles criam com os internautas, desde se comunicar diretamente ao público em narrativa a, até mesmo, criar promoções com direito a camisetas autografadas. Com o passar dos episódios os atores vão ficando cada vez mais entrosados e a série mais interativa.
Número de websódios: 44 episódios, 1ª. Temporada.
O Legado (Contigo! / Dermacyd/ Ares Filmes) Tudo começou quando os amigos Fabiano Moura, Paulo Gorniak e Warley Santana criaram este projeto como um roteiro de longa metragem. Contatado pela Contigo!, que desejava produzir uma série multimídia, Warley apresentou o projeto a revista. Foi assim que surgiu a oportunidade de produzir "O Legado" em novo formato, com o aval do criador Fabiano Moura. O projeto envolve não só a websérie, mas também fotonovela na revista Contigo! e versão do seriado para móbile. Foram 12 tratamentos até adaptar o roteiro à linguagem do novo meio, tudo com um cuidado especial. Conta a história de Max, filho de um milionário mulherengo, que vive enclausurado em seu quarto e, muito tímido, não tem contato com ninguém a não ser um amigo virtual. Quando seu pai morre, deixa uma clausula no testamento que estipula: apenas receberá a herança se conquistar cinco das mulheres mais bonitas do país. E é seu amigo virtual, e mais um grupo de novos conhecidos, que se juntam para ajudá-lo desta missão. A série, que possui uma equipe de cineastas, é esteticamente muito bonita, com fotografia impecável e uma atmosfera próxima a de um conto de fadas, que é a inspiração da série. ""O Legado" é um SITCOM com narrativa de contos de fada. O que cabe bem no contexto do sapo que vira príncipe. A narração nos dá uma vantagem de tempo valiosa", conta Fabiano. Quem acompanha seriados vai lembrar da linguagem também fantástica usada em "Pushing Daisies", esta última inspirada em Amelie Poulain. Quer melhor indicação que essa? O patrocínio da Dermacyd, conquistado através da Revista Contigo!, é visível. As propagandas são insistentes, mas quase não interferem na história. A participação de convidados especiais também dá um toque a mais nos episódios: "Originalmente teríamos famosos dentro do universo do legado, mas uma vez que se tornou um produto de uma revista de celebridades nada mais natural do que usarmos celebridades do mundo real", afirma o criador.
Número de websódios: 6 episódios, 1ª. Temporada.
Os Buchas (Perola Negra Produções / Canal Oi) Hilária! Sabe todas as comédias românticas de "mulheres procurando o amor" que foram lançadas até hoje? Pois é, "Os Buchas" é uma resposta a essa ideia de que os homens não sofrem para conseguir um relacionamento. O ponto de vista masculino dessa história. "Bucha" é uma gíria que significa uma pessoa que não tem sorte nos relacionamentos, que não consegue ter relacionamentos. Nessa websérie nós acompanhamos Beni, um rapaz tímido e com uma lábia péssima, e seu grupo de amigos em suas conquistas amorosas e toda a conseqüente confusão que elas acarretam. É muito interessante ver as "neuras" dos homens, pra variar. Além das situações engraçadas e fatalmente realistas, os diálogos são muito bons. As observações de comportamento que eles fazem são ótimas. Os atores dão show! E tem vídeos de bastidores. Vencedores do Pitching da OI 2008. Exibido no Canal Oi.
Interatividade: Possui um blog onde os internautas podem mandar histórias baseadas no tema "Os Buchas" e as escolhidas viram episódios da próxima temporada.
Caio e Alice (Tarjab Construtora) Uma peça publicitária da Tarjab Construtora para divulgar os novos lançamentos em residências. A proposta, mais uma vez é mostrar o produto? Firmar a marca? Divulgar lançamentos? Sim, a todas as perguntas. Mas, achei original a historia dessa mulher consumista e viciada em stand de demonstração de apartamento, tanto que até se torna amiga do vendedor, enlouquecendo seu marido com as mudanças de condomínios. Uma propaganda criativa.
Número de websódios: 3. PRÓXIMOS LANÇAMENTOS NACIONAISSérie que estréiam ainda em 2010. Pela Primeira Vez - 1º. Semestre 2010. "Pela Primeira Vez" é voltada ao público pré-adolescente e aborda temas pertinentes a essa faixa, como: primeiro amor, amadurecimento, novas responsabilidades, amizades etc. Através da direção de Flávio Colatrello , o ator Elias Hatab interpreta Duca que deu uma prévia sobre a experiência: "...estou adorando fazer. Abre um espaço muito interessante para os artistas poderem mostrar o seu trabalho". Link: http://www.youtube.com/watch?v=pnKnHFjjlG4 (Teaser da Webnovela)
Mariana - Junho/2010. Mariana é uma garota de programa e a cada dia enfrenta situações inusitadas. Das mais estranhas as mais difíceis. Em contato direto com a câmera, Mariana quebra a quarta parede e conversa com o público. Link: http://www.webseriemariana.blogspot.com/.
Inversões - Sem previsão. Estudantes da PUC-RIO se reuniram para realizar essa série interativa. Conta a história de dois jovens e como eles lidam com essa complexa fase da adolescência. Você pode escolher através do ponto de vista de qual personagem você quer assistir a história. Link: http://www.inversoes.com.br/
Colunas Diárias - Julho/2010. (Tive receio em incluir essa série na listagem, porque sou eu mesma a criadora desse projeto. Mas, gostaria de compartilhar também a minha experiência com vocês e após autorização do editor, aí esta). Baseada nos colunistas fictícios do site Colunas Diárias, essa websérie conta a historia de 7 escritores que participam de uma competição literária promovida por uma revista. As sete histórias são contadas separadamente, mostrando os desafios de cada concorrente enquanto lidam com o repentino sucesso profissional e com as transformações que estão ocorrendo em suas conturbadas vidas pessoais. Link: www.colunasdiarias.com (perfil dos personagens e colunas que eles publicaram até o momento. Vídeos serão disponibilizados lá.) |
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